Um ato de generosidade marcou o Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI) nesta terça-feira (11), quando ocorreu a terceira captação de órgãos do ano de 2026. A doação foi realizada após a morte de Jhon Javer Cifuentes Flórez, um colombiano de 33 anos que residia na cidade há mais de cinco anos.
Tragédia e solidariedade
Jhon estava internado na UTI Adulto do HCI desde o dia 7 de outubro, após um grave acidente de trânsito. A sua família, em meio à dor da perda, decidiu permitir a doação de órgãos, permitindo a captação de fígado, rins e córneas. Juan Esteban Cifuentes Flórez, irmão de Jhon, foi quem autorizou a doação, destacando que, apesar da dor, a possibilidade de salvar vidas trouxe um novo significado ao momento trágico.
Reflexão sobre a doação
A doação de órgãos nunca havia sido um tema discutido entre os irmãos, mas a situação crítica levou a família a refletir e tomar a decisão em conjunto, mesmo com alguns membros à distância. Juan compartilhou a dificuldade de abordar a morte em idades tão jovens e como a conversa, mesmo à distância, foi essencial para a decisão. Ele ressaltou que a mãe e a irmã, que é enfermeira, também participaram do diálogo sobre a doação.
“Quem espera morrer tão jovem? Este é um tema que ninguém quer discutir. No entanto, em um momento como este, a conversa se tornou inevitável e, em conjunto, decidimos pela doação, honrando a vontade de Jhon”, comentou Juan.
O legado de Jhon
A escolha da família é vista por eles como um reflexo da própria vida de Jhon. Juan acredita que seu irmão ficaria orgulhoso em saber que parte dele pode continuar ajudando outras pessoas. “Ele sempre teve uma saúde exemplar, não fazia uso de medicamentos e não era fumante. Essa decisão traz um pouco de conforto em meio à dor”, concluiu.
Mobilização do hospital
A captação de órgãos mobilizou várias equipes do HCI, com destaque para a atuação da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), liderada pela enfermeira Deise Piccoli Steinke. Essa equipe é responsável por acompanhar todas as etapas do processo, desde a identificação do doador até o suporte aos familiares.
Além da e-DOT, outras entidades como a Organização de Procura de Órgãos (OPO 4), a Central Estadual de Transplantes e a Coordenadoria Regional de Saúde, bem como os profissionais da UTI, Centro Cirúrgico e setores de apoio, colaboraram para que a captação fosse realizada de forma eficiente.
Transplantes no Rio Grande do Sul
Este evento marca a terceira captação de órgãos realizada pelo HCI em 2026, reforçando a importância do diálogo sobre doação familiar. No primeiro semestre de 2026, o Rio Grande do Sul registrou 1.095 transplantes, e em 2025, o estado contabilizou 2.446 transplantes, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. A conscientização sobre a doação de órgãos é fundamental para salvar vidas e deve ser uma conversa frequente nas famílias.