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Clínica no RJ é investigada após mandar pacientes focarem no biquíni

Uma clínica estética localizada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, virou alvo de investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro após mensagens revelarem que representantes do estabelecimento mandaram pacientes com dores intensas “focarem no biquíni”.

Investigação policial e irregularidades As apurações começaram em 5 de outubro deste ano, quando agentes compareceram ao local para verificar denúncias de ilegalidades. Na ocasião, 16 ampolas de midazolam — um medicamento controlado empregado para sedação cuja origem segue sob apuração — foram apreendidas.

A operação oficial foi deflagrada nesta quinta (22/10) pela PCERJ para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. A corporação apura delitos como exercício ilegal da medicina, lesão corporal, perigo à vida ou saúde de terceiros, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo.

Diálogos no WhatsApp e relatos de sofrimento A Polícia Civil teve acesso a conversas de um grupo de WhatsApp mantido pela clínica para divulgar promoções e interagir com clientes. Enquanto parte do público celebrava os descontos, várias pessoas compartilharam relatos de intenso sofrimento após os procedimentos estéticos.

Uma das clientes escreveu: “Fiquei com muitos roxos. Hoje, a drenagem doeu muito também, mas sei que o resultado vai ser positivo. Mas nunca mais faço um negócio desse. É uma mini lipo, só que com anestesia local… Sem noção para a dor”. Outra denunciante afirmou ter desmaiado três vezes ao passar por uma técnica anunciada como “hidrolifting”, que envolvia cânula, aspiração de gordura abdominal e enxerto nos glúteos. Uma terceira mulher relatou que a intervenção foi mais dolorosa do que o próprio parto.

Respostas da clínica e uso de dados falsos Diante das reclamações sobre o sofrimento físico, a clínica respondeu às clientes que elas precisavam ter senso, argumentando que “ninguém morreu ou vai morrer por causa disso” e que cada organismo reage de uma maneira diferente à dor.

Além das queixas de sofrimento, os investigadores descobriram o uso irregular dos dados de um profissional apontado como responsável técnico. Em depoimento, ele negou qualquer vínculo com o local, afirmou não ter recebido pagamentos e declarou que jamais autorizou o uso de seu carimbo, encontrado no estabelecimento.

Riscos à saúde pública As autoridades seguem trabalhando para apurar a extensão dos danos, identificar novas vítimas e definir a responsabilidade de todos os envolvidos no esquema de atendimento clandestino.

“A principal preocupação da Polícia Civil é o risco à saúde das pacientes, já que procedimentos invasivos, especialmente quando associados à utilização de sedativos e realizados sem as condições técnicas necessárias, podem provocar complicações graves, inclusive fatais”, disse a corporação em nota.

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