O município de Restinga Sêca, localizado na Região Central do Rio Grande do Sul, foi o cenário de um importante debate entre os candidatos ao governo do Estado, promovido pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) na última sexta-feira (7). O evento, mediado por Paulo Sérgio Pinto, vice-presidente da Rede Pampa, contou com a participação do atual vice-governador, Gabriel Souza (MDB), e do ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata (PSDB), que se enfrentaram ao vivo pela TV Pampa.
Faltas e Críticas no Debate
A ausência de Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), que não compareceram mesmo após convites reiterados, gerou desconforto no debate. As cadeiras vazias foram alvo de críticas por parte de ambos os candidatos presentes, que usaram essa lacuna para enfatizar a importância da participação no debate político. Diante de uma plateia composta por prefeitos e lideranças municipais, o encontro teve um tom claramente municipalista.
Questões de Saúde e Pacto Federativo
Durante a fase de perguntas, o primeiro tema abordado foi o financiamento da saúde. Maranata destacou a carga que os municípios enfrentam, com gastos que podem chegar a 35% do orçamento, muito acima do mínimo legal de 15%. Ele criticou a falta de financiamento adequado por parte dos governos estadual e federal para a média e alta complexidade dos serviços de saúde.
Em resposta, Gabriel Souza defendeu a atual gestão, afirmando que o governo estadual regularizou os repasses aos municípios e hospitais. No entanto, ele responsabilizou o governo federal pela defasagem na tabela SUS, que, segundo ele, remunera consultas e procedimentos de forma insatisfatória, além de mencionar o programa “SUS Gaúcho” como um avanço.
Desafios Climáticos e Infraestrutura
Um dos momentos mais intensos do debate ocorreu quando o tema da gestão de riscos climáticos foi levantado. Maranata criticou a lentidão das obras de contenção, ressaltando que existem recursos significativos disponíveis, mas sem a devida execução. Ele enfatizou a necessidade de agilidade nas obras, apontando que o Estado tem bilhões à disposição.
Souza, por sua vez, citou projetos em andamento, como as obras na RS-348 e investimentos no dique do bairro Sarandi, em Porto Alegre. Ele também lembrou que projetos de grande envergadura levam tempo para serem concluídos, utilizando exemplos internacionais para justificar a complexidade e a necessidade de planejamento.
Educação e Evasão Escolar
Na discussão sobre educação, Gabriel Souza comemorou o avanço do Rio Grande do Sul no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que subiu da 14ª para a 5ª posição no ranking nacional. Ele ressaltou a importância de investimentos na educação, como a entrega de uniformes escolares.
Maranata, em contrapartida, criticou a evasão escolar e propôs a abertura das escolas aos finais de semana e nas férias, ressaltando a importância da merenda escolar para muitos alunos. Ele fez uma afirmação polêmica sobre a qualidade da merenda em uma escola específica, que foi prontamente contestada por Souza, que garantiu que o Estado investe em alimentação de qualidade.
Políticas para Idosos e Apostas Eletrônicas
Durante o bloco de perguntas, Gabriel Souza questionou Maranata sobre propostas para atender a população idosa, um grupo significativo no Estado. Maranata sugeriu a criação de um “cluster” de saúde para atrair investimentos. Souza, no entanto, destacou iniciativas já existentes, como o programa “Saúde 60+”.
Em um outro momento, Maranata criticou a proposta de recriação da loteria estadual, associando-a aos danos causados pelas apostas eletrônicas. Souza defendeu a loteria como uma alternativa legal e essencial para o financiamento de saúde e segurança pública.
Considerações Finais e Perspectivas Futuras
Nas considerações finais, Maranata enfatizou sua experiência como gestor e destacou a necessidade de diversificação econômica para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Gabriel Souza, por sua vez, pediu a continuidade da atual administração, ressaltando a redução nos índices de criminalidade e alertando sobre os riscos de “aventuras” políticas que possam levar a retrocessos na gestão do Estado.
O debate em Restinga Sêca não apenas expôs as visões dos candidatos, mas também levantou questões cruciais para o futuro do Rio Grande do Sul, evidenciando a importância da participação e do diálogo na política local.