Os rumos da gestão pública e a recuperação do Rio Grande do Sul centralizaram os debates entre Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Em encontro realizado na capital gaúcha, os postulantes ao Palácio Piratini apresentaram diagnósticos divergentes e soluções para áreas críticas, como saúde, infraestrutura, segurança e crescimento econômico.
Divergências na saúde pública e filas de espera
O atendimento médico estadual gerou intensos confrontos durante as discussões. Defendendo a atual administração, Gabriel Souza destacou o SUS Gaúcho, afirmando que o pacto possibilitou retirar 110 mil pessoas das filas de espera em menos de 12 meses. O emedebista também ressaltou a quitação de uma dívida histórica de R$ 1 bilhão com unidades hospitalares, com pagamentos agora em dia, além de apontar a defasagem na tabela do SUS nacional.
Por outro lado, Juliana Brizola contestou os dados apresentados e apontou que mais de 850 mil pacientes continuam desassistidos aguardando procedimentos no Estado. A pedetista cobrou clareza sobre o financiamento do sistema e defendeu o fortalecimento do atendimento aos idosos, classificando os 50 Centros-Dia existentes como insuficientes. Já Zucco propôs direcionar a estratégia estadual para a atenção básica em cooperação com as prefeituras, além de ampliar o uso da telemedicina.
Estratégias para segurança e reforma do sistema prisional
O combate à criminalidade colocou em evidência abordagens distintas entre os concorrentes. Gabriel Souza sustentou a manutenção das diretrizes do programa RS Seguro, destacando a abertura de 12 mil novas vagas prisionais — somando unidades prontas e em fase final de obras — e prometendo diálogo constante com os agentes da área.
Em contraponto, Luciano Zucco defendeu a reorganização da máquina pública por meio do corte de secretarias e pregou uma diretriz de tolerância zero contra facções. O candidato sugeriu a separação rigorosa de apenados por grau de periculosidade. Na educação, Zucco propôs a expansão das escolas cívico-militares, pactos de valorização dos professores e o fim da aprovação automática de alunos com déficit de aprendizagem.
Prevenção contra enchentes, energia e atração de investimentos
A reconstrução das cidades e o estímulo ao setor produtivo ganharam destaque nas propostas de Marcelo Maranata. O tucano alertou para a perda de competitividade das indústrias gaúchas, citando a migração de empresas para o Paraguai e o êxodo de jovens, cenário que pretende combater com a expansão do ensino técnico. Para minimizar o impacto de desastres climáticos, Maranata defendeu desburocratizar a gestão e atualizar projetos de prevenção já desenhados. Na economia, sugeriu a inovação na matriz agrícola, como o uso de arroz na produção de etanol, e investimentos em energia eólica.
A pauta energética também foi respaldada por Juliana Brizola, que enfatizou a necessidade de aportes em fontes renováveis, como solar e eólica. Na infraestrutura, a candidata questionou a gestão de recursos públicos, afirmando que o Executivo dispunha de R$ 6 bilhões parados há mais de dois anos, verba mobilizada tardiamente após as inundações. Juliana e Zucco declararam apoio a concessões rodoviárias, contanto que os processos contem com transparência e fiscalização rigorosa.
O confronto direto evidenciou as prioridades de cada chapa para superar a fragilidade fiscal do Estado e reconstruir setores estratégicos diante dos desafios sociais e climáticos do território gaúcho.