Seja Bem Vindo - 25/10/2026 07:53

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Desafios do arroz gaúcho: clima, dívidas e consumo

Com uma colheita anual próxima de 8 milhões de toneladas, o Rio Grande do Sul inicia um novo ciclo de cultivo sob forte influência climática. A colheita gaúcha responde por cerca de 70% de todo o volume produzido no Brasil.

Impactos do El Niño na lavoura A principal preocupação para o atual ciclo produtivo é a previsão de um El Niño de forte a muito forte intensidade. Segundo o dirigente, o fenômeno já provoca atrasos no plantio em parte das regiões produtoras do Estado.

“Temos este ano alguns prognósticos bastante preocupantes, principalmente com a previsão de El Niño forte a muito forte, e isso tem trazido algumas questões de atraso no plantio da safra de arroz”, afirmou Alexandre Azevedo Velho, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA).

Apesar disso, a colheita na Fronteira Oeste avançou com maior rapidez devido ao menor volume de chuvas registrado em setembro na região, que concentra cerca de 30% da área plantada no Estado.

Inovação e tecnologia no campo Para mitigar os riscos associados ao clima adverso e aos elevados custos operacionais, o IRGA intensificou o monitoramento meteorológico e o desenvolvimento de novas sementes adaptadas às características regionais.

“Estas informações são divulgadas semanalmente, e isso é uma ferramenta que o órgão fornece aos produtores para que eles tenham uma assertividade maior com relação ao seu planejamento”, explicou o presidente da autarquia.

O instituto também aposta em cultivares com maior resistência a pragas para otimizar o uso de defensivos agrícolas nas lavouras irrigadas.

“Estamos lançando duas novas cultivares de arroz, que têm toda uma tecnologia embarcada para altas produtividades. Elas têm resistência a doenças, então isso traz um uso mais racional dos defensivos agrícolas.”

Crise financeira e endividamento rural A estabilidade do setor, contudo, esbarra na situação delicada das finanças dos agricultores. Anos consecutivos de quebras de safra provocadas por secas e enchentes comprometeram o patrimônio de diversas famílias produtoras.

“Tivemos anos de seca e depois tivemos enchente. Algumas regiões perderam suas produções, perderam máquinas e equipamentos. Isso tudo nos trouxe um prejuízo bastante grande”, destacou Velho.

Para garantir a viabilidade da atividade, o dirigente reforça a necessidade de margens justas que protejam tanto quem cultiva quanto quem compra o alimento nos mercados.

Mudanças nos hábitos alimentares Além dos gargalos climáticos e econômicos, o setor arrozeiro monitora uma retração na demanda interna provocada pelas transformações no estilo de vida da população brasileira.

“Temos uma tendência de diminuição nos últimos anos em função do estilo de vida das pessoas. O consumo de fast-foods está aumentando”, alertou.

Para reverter esse cenário, o IRGA retomou iniciativas institucionais de estímulo à culinária à base de cereal. O futuro da atividade dependerá diretamente da união entre eficiência agrícola, sustentabilidade financeira e a valorização do produto na mesa dos consumidores.

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